Julgamento de Carli Filho entra em recesso e deve ser retomado à tarde

(foto: Franklin de Freitas)

O advogado de Roberto Brezinski Neto, assistente da defesa de Carli Filho, segue reclamando da cobertura da imprensa. Ele reclama de factoides explorados pela imprensa, como a velocidade de 190 km/h, que compõe uma peça de uma agência de publicidade. O advogado reafirmou que as vítimas atravessaram a via preferencial. Após a arguição da defesa, o júri deve ter uma pausa para o almoço e, caso seja necessário, as partes terão uma hora para réplica e uma hora para tréplica.

Alessandro Silverio, advogado de Carli abre o tempo da defesa durante o segundo dia de julgamento de Carli Filho, no Tribunal do Juri. A sessão foi retomada após 15 minutos de recesso concedido pelo pelo juiz Daneil Avelar após o Ministério Público e o advogado da família, Elias Mattar Assad, ocuparem o tempo de acusação. Após citar cada um dos jurados nominalmente, Silverio diz que Carli Filho respeita da dor e a trajetória da família das vítimas. Carli Filho chora.

O advogado ressalta que Carli é pai e que os filhos dele podem ter orgulho dele. “Ele carrega no coração a dor dessas família. Mas como humano que é, tem o direito de ser julgado nos termos do diz as leis do direito penal desta nação”. O advogado se refere aos jurados pelo nome. Ele pede que os jurados esqueçam que se trata de um ex-deputado, mas de um semelhante. Segundo ele, o tema central é o dolo, a vontade. “O dolo também é conhecimento. A vontade de praticar o comportamento ilícito. Mas também é conhecimento. Carli Filho não tinha o conhecimento do curso causal para determinar a morte das vítimas. Quem diz isso são os autos”

“Será que a velocidade foi tão determinante para o acidente, senhor Norberto (nome de um dos jurados). Imaginamos que ele estivesse a 220 quilômetros por hora. As vítimas estariam hoje vivas? Lógico que sim. Ele teria passado antes de colidir contra as vítimas. Ele não tinha o domínio do curso causal. A acusação ignora o verdadeiro curso causal (atravessar a preferencial)”, afirma Silvério.

A defesa ataca os veículos de comunicação. “Eu errei e peço para pagar pelo meu erro, é isso que a defesa está pedindo. Muito mais que martírio, a cruz de Cristo quer dizer piedade”, diz Silvério.

O advogado das famílias das vítimas, Elias Mattar Assad, assitente da acusação, antes de iniciar  a argumentação no segundo dia do julgamento do ex-deputado Carli Filho, exibiu reportagem do Jornal Nacional sobre o dia do acidente. Em seguida, ele exibiu vídeos com depoimentos de testemunhas. No início de sua explanação, Mattar Assad ressaltou a dor das famílias. Depois, Mattar Assad aponta que Carli Filho “aprumou o carro” para “rampar” em linha reta, demonstrando que estava ciente do risco. O advogado questionou o argumento da defesa de que as diversas multas que levaram aos 130 pontos na carteira de Carli foram em parte causadas por membros do gabinete dele na Assembleia.

“É comum empregado assumir multa de patrão. Agora, patrão assumir multa de patrão eu nunca vi”, disse.  “A tese da defesa não para em pé. Como ele não parava em pé quando saiu daquele restaurante”, afirmou Assad.  O advogado ressaltou que Carli Filho assumiu o risco de matar, ao dirigir embriagado e se for absolvido ou apontar que ele não assumiu o risco, o júri estará “liberando geral e muitas mortes vão acontecer”. “Vamos deixar que ele saia rindo por aquela porta? Mesmo que saia daqui condenado poderá recorrer em liberdade, cumprir pena em Guarapuava”, disse.

O promotor Marcelo Balzer Público falou antes de Assad. O segundo dia do julgamento do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, no Tribunal do Juri, foi aberto pela argumentação do Ministério Público, o promotor Marcelo Balzer, de pé, atrás da bancada de acusação, nesta quarta-feira, 28. Ele enfatizou em seu discurso  de abertura que a defesa de Carli Filho insiste em condenar as vítimas pela própria morte. O julgamento de Carli Filho começou na tarde desta terça-feira (27), no Tribunal do Júri, em Curitiba, e durou cerca de oito horas. A expectativa é de que os trabalhos de hoje prossigam até as 18 horas.

Balzer apresenta ma reportagem sobre a indústria das multas de trânsito exibida pelo programa Fantástico, exibido pela Rede Globo aos domingos, apontando fraudes que envolvem a empresa Consilux, que na época do acidente também operava radares em Curitiba. A reportagem sobre “indústria da multa” aponta que seria possível anular multas de políticos e apadrinhados.

“Não podia estar dirigindo, embriagou-se, ignorou os alertas, trafegou em excesso de velocidade. Os senhores querem acreditar que ele acelerou para atingir aquela barbaridade em apenas 550 metros (entre o radar e o ponto de colisão) e ainda falando ao celular. Foram varias ligações realizadas. A última ligação foi 0048 e a colisão foi às 0054”, argumentou o promotor.

O julgamento é conduzido pelo juiz Daniel Avelar, da 2ª Vara Privativa do Tribunal do Júri de Curitiba. A fila dos populares que conseguiram uma senha para acompanhar o júri já tinha cerca de 50 pessoas por volta das 8h20, desta quarta-feria, 28.

Neste segundo dia, o acusado Carli Filho chegou acompanhado do irmão, o deputado estadual Bernardo Ribas Carli (PSDB), e do pai, o ex-prefeito de Guarapuava, Luiz Fernando Ribas Carli.

No primeiro dia, o depoimento mais longo foi o da sexta testemunha, Ventura Raphael Martello Filho, perito particular chamado pela defesa de Carli Filho. Ele falou por quase três horas. Foi durante o depoimento de Martello, quando mostraram as fotos das vítimas, que o ex-deputado, aparentemente abalado pelas imagens, se retirou do plenário. O réu, aliás, prestou o último depoimento, das 21 horas às 21h30:  “Eu errei, eu bebi, eu dirigi, mas não tive a intenção de matar”, disse Carli. Ele também pediu desculpas às mães das duas vítimas, Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. A sessão será retomada às 9 horas desta quarta (28), com a fala inicial do Ministério Público.

Antes do início do julgamento, a defesa do ex-deputado recusou três dos jurados, quantidade a que tinha direito. A promotoria recusou uma. O júri ficou formado por cinco mulheres e dois homens.

Carli é acusado de duplo homicídio com dolo eventual pela morte, em 2009, de Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. Por se tratar de um crime doloso contra a vida, o julgamento, que está previsto para prosseguir até esta quarta,28, no Tribunal do Júri, instância em que a decisão cabe a um conselho de jurados formado por cidadãos da cidade onde ocorreu o crime. A deputada federal Christiane Yared, emocionada, foi dispensada de testemunhar.

Veja como foram os depoimentos

Primeira testemunha: “Ofereci carona para ele, que aceitou num primeiro momento, mas depois desistiu”

A primeira testemunha foi o médico Eduardo Missel, amigo de Carli Filho desde 2008, que estava com ele no restaurante no dia do acidente. O testemunho durou 34 minutos e foi para a acusação e defesa. Ele confirmou que foram pedidas quatro garrafas de vinho no restaurante, mas disse que nem todas foram consumidas. Missel não soube dizer se o ex-deputado estava em condições de dirigir naquela noite, mas ofereceu carona para ele. Segundo o testemunho, num primeiro momento Carli Filho aceitou e chegou a entrar no carro do amigo, mas desistiu e foi com o próprio carro. O médico contou que quando falou com o ex-deputado após ele sair do hospital em São Paulo, Carli Filho disse não lembrar de nada sobre o acidente. Durante o depoimento de Missel, Carli Filho chorou.

Segunda testemunha: “Quando o paciente (Carli Filho) chegou ao hospital ainda não tinha sido identificado”

O segundo depoimento foi do médico José Antônio Mangue. Ele prestou depoimento antes porque alegou problemas de saúde. Ele é testemunha de defesa. O Ministério Público mostrou fotos do corpo  das vítimas e questionou se elas tiveram tratamento adequado.  Também foi perguntado sobre detalhes do estado de saúde de Carli Filho após o acidente.  O ex-deputado foi levado ao Hospital Evangélico pelo Siate. Quando o médico iniciou o atendimento, Carli estava entubado, com trauma de face extremamente agressivo. O advogado Roberto Brzezinski Neto questionou o médico sobre a transferência de Carli a um hospital de São Paulo, dias depois do acidente. Médico diz que foi decisão da família. A defesa exibiu fotos do rosto de Carli Filho, quando ele estava hospitalizado. Médico diz que quando o paciente chegou ao hospital, ainda não havia identificação.

Terceira testemunha: “Tive que segurar Carli Filho para que ele não caísse no chão”

A terceira testemunha  foi Altevir dos Santos, segurança do restaurante. Ele confirmou a versão do médico Missel de que Carli Filho chegou a entrar no carro do amigo e saltou em seguida. Santos também informou que teve que segurar o ex-deputado para que ele não caísse no chão e confirmou que Carli Filho saiu do restaurante com o carro em alta velocidade.

Quarta testemunha: “Vi o carro saltar cerca de 1,5 metro do chão`

Após rápido recesso, o julgamento foi retomado com a testemunha Leandro Lopes Ribeiro, enfermeiro que viu o acidente. Indicado pela Defesa. Ele contou que viu o carro de Carli Filho saltar cerca de 1,5 metro do chão. “O carro de Carli Filho saiu com as quatro rodas do chão. Cheguei a ver uma parte do crânio de uma das vítimas. Foi ele que chamou o Siate.  Diz ter percebido que o carro de Carli Filho bateu na traseira do carro das vítimas, na altura do porta-malas, perto do para-brisas. Honda ficou parado na descida, na ruazinha paralela Passat foi parar na frente do Honda.

Quinta testemunha: “Honda Fita reduziu a velocidade, mas não parou”

Yuri Yasichin da Cunha, também indicado pela defesa, trafegava na mesma rua que o Honda.  Ele não viu a colisão, mas um pouco antes da esquina, ouviu o barulho.  Não soube informar se havia algum outro carro em excesso de velocidade no mesmo sentido do acusado. Ele disse que parou, mas não havia nada a ser feito, a não ser chamar o Siate, o que já havia sido feito. Ao ser questionado pela defesa, afirmou que o Honda Fit reduziu a velocidade ao chegar na esquina, mas não parou. Ele confirmou que cobriu a cabeça de Rafael Yared com uma caixa de sapato.

Sexta testemunha: “A perícia oficial tem várias falhas”

Ventura Raphael Martello Filho é um perito particular chamado pela defesa de Carli Filho e seu depoimento durou quase 3 horas.  Ele diz ter encontrado inúmeras incongruências na perícia oficial sobre a velocidade do carro do ex-deputado. Para ele, não há como aferir, cientificamente, a velocidade em que os carros estavam no momento da batida. O laudo oficial apontou que Carli trafegava entre 161 km/h e 173 km/h. “Houve inúmeras tentativas de supostos cálculos de velocidade, nenhum seguiu nenhuma metodologia aceita; não encontramos possibilidade de calcular a velocidade de qualquer um dos veículos”, disse ele.  Segundo o perito, dá para ter a percepção que o veículo que trafegava acima da velocidade permitida,  mas não há método para aferir a velocidade; nem estimativa. Segundo ele, o Passat colidiu a parte mais resistente, que é a frente e motor com a parte mais frágil do Honda Fit, que é uma parte oca. Ele também garantiu que o carro de Carli não saiu do chão no acidente.  Segundo ele, a velocidade mínima para o veículo decolar seria de 250 km/h e o carro do ex-deputado tem 227 km/h de velocidade máxima.  Questionado, Martello afirma que o valor “travado” no velocímetro (190 km/h) de Carli não pode ser considerado para determinar a velocidade do veículo na hora do acidente.

Perito mostrou ainda vistas noturnas do local do acidente. Explicou que os semáforos ficam em amarelo piscante quando estão estragados ou em determinados horários. Ele disse que foi até o local do acidente, ficou na posição do carro das vítimas, no mesmo horário, e esperou que passasse um veículo com faróis xenon – que dão maior visibilidade –  como eram os de Carli. Tentativa é de demonstrar que era possível que as vítimas vissem o carro do ex-deputado. O perito mostrou  a simulação virtual para determinação  da velocidade máxima  atingível pelo modelo Passat Variant 2.0. Ele acredita que o máximo que o carro de Carli poderia chegar é 136 km/h, com base em um teste virtual. Martello ainda mostrou a foto da parte de baixo do Passat do ex-deputado. A imagem foi feita pela criminalística e mostra um leve amassado.  Segundo o perito, se tivesse caído em cima do Honda, segundo ele, estaria em condições piores.  Martello criticou vídeo produzido pelos assistentes de acusação, que mostra uma reconstituição em animação gráfica do que teria ocorrido no momento do acidente; perito critica inclusive o fundo musical dramático; Analisando fotos, diz que partes do carro de Carli podem ter sido danificadas na remoção, não na batida. Ele questionou como o carro causou a decapitação de duas pessoas e não há nenhuma gota de sangue nele. Roberto Brzezinski Neto, advogado de defesa, pediu que o perito não mostrasse fotos das vítimas para “não explorar a tragédia de ninguém”.  Neste momento, Carli deixou o plenário, aparentemente abalado com as fotos dos jovens mortos.  Martello sustentou a tese de que as vítimas poderiam ter evitado a batida. Após o depoimento dele, o juiz Daniel Avelar suspendeu julgamento por 30 minutos para pausa de jantar.

Depoimento do réu Fernando Ribas Carli Filho: ” Eu errei, eu bebi, eu dirigi, mas não tive a intenção de matar”

O réu Fernando Ribas Carli Filho disse que nunca fugiu do processo. “Usamos o direito da ampla defesa porque acreditamos que a denúncia contra a minha pessoa não é correta, porque nunca tive a intenção de matar”, disse ele, no depoimento. “Eu errei, eu bebi, eu dirigi. Assumo a culpa, mas nunca tive a intenção de matar alguém”, afirmou. Ele ainda negou que tenha feito racha em algum momento de sua vida. Relembrando o dia do acidente, Carli disse que encontrou o casal de amigos, beberam e comeram e que não se lembra de nada após a saída do restaurante. Explicou que esqueceu porque sofrey amnésia lacunar, segundos os médicos.  O réu chorou ao falar da educação simples que os pais deram a ele. Disse que nunca fez racha na vida dele e não estaria fazendo racha naquela noite. Ele disse que no dia saiu para visitar o pai no hospital e depois foi jantar no restaurante. Só lembra do restaurante e depois no coma no hospital. Afirmou que o carro dele era usado por diversas pessoas da assembleia, por isso tinha tantas multas. Também afirmou que não foi comunicado formalmente que a carteira estava cassada.

Ele olhou para as mães da vítimas e disse que nunca teve a chance de pedir perdão, mas que agora quer pedir desculpas “do fundo do coração “. Por fim, ele  não pode confirmar a velocidade que estava porque não tem recordação dos fatos.

 

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Atraso

O julgamento estava previsto para começar às 13 horas, mas atrasou. A sessão começou apena àss 13h15. Nesta manhã, por vollta das 10 horas, os policiais já estavam preparando o isolamento da sede do Tribunal do Júri, no Centro Cívico. O caso, de grande repercussão nos últimos anos, tem grande apelo e comoção. Por causa disso, a Polícia Militar fez o reforço da a segurança tanto interna quanto externa do Tribunal de Júri. Do lado de fora, um grande efetivo deve estar presente para acompanhar possíveis manifestações e também orientar o trânsito, que deve ficar pesado ao longo do julgamento.

O ex-deputado foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) ainda em 2009 e, após uma série de recursos apresentados pela defesa no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento foi marcado. Pelo Ministério Público do Paraná, atuarão na acusação os promotores de Justiça Marcelo Balzer Correia (autor da ação contra o ex-deputado em 2009) e Paulo Markowicz de Lima.

Como é o julgamento

O julgamento teve início após a definição dos jurados. Entre um grupo de 25 pessoas previamente convocadas pela Justiça, foram definidos, por sorteio, os sete que irão compor o Conselho de Sentença. Em seguida, foram ouvidas as testemunhas: eram 12 no total, de acusação e de defesa, mas com os pedidos indeferidos e ausências, ficaram apenas seis.  Na sequência, foi realizado interrogatório com o réu. Nesta quarta, acontecderá o  debate entre acusação e defesa – momento em que as partes sustentam suas teses sobre o ocorrido para os jurados, os quais se reúnem após as falas para proferir a decisão do Conselho de Sentença. Por fim, o juiz proclama a sentença, que é lida em plenário diante do réu e de todos os presentes. A previsão é que o julgamento termine nesta quarta.

 

 

No segundo dia, estimativa é de que os debates do julgamento tomem o dia todo

Yared ironiza pedido de desculpas e diz que Carli Filho não parece arrependido

Sete cabeças e uma sentença: veja o perfil dos jurados do caso Carli Filho

 

 

Fonte: http://www.bemparana.com.br/noticia/555519/julgamento-de-carli-filho-entra-em-recesso-e-deve-ser-retomado-a-tarde

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